O Rio de Janeiro sediou, nos dias 08, 09 e 10 de outubro, a oitava edição do SBGames, o Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital, que aconteceu no campus da PUC-Rio, na Gávea. Reunindo pessoas do Brasil, o evento é voltado para desenvolvedores, designers, professores, estudantes, entusiastas e gamers em geral e contou com a participação de palestrantes internacionais e nomes ilustres da indústria brasileira de games.

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Claro que um evento com tanto conteúdo como este não merece ter uma cobertura resumida em apenas um post, não é verdade? Você vai ficar sabendo de tudo que aconteceu na SBGames 2009 em três partes. Cada um dedicado a um dia da feira, contando de maneira detalhada o conteúdo das principais palestras, mesas redondas, contratempos e bastidores. Esse é o primeiro, e nos próximo dias você volta aqui para conferir o restante da cobertura.

A abertura aconteceu com quase uma hora de atraso, o que infelizmente gerou um efeito dominó sobre toda a programação do primeiro dia de evento. O ginásio estava lotado quando finalmente a cerimônia se iniciou. O professor Reinaldo Calixto, Decano do Centro Técnico-Científico da PUC-Rio, cuidou da abertura oficial e deu as boas vindas a todos ali presentes.

sbgames2O primeiro Keynote ficou por conta de Glenn Entis, atualmente sócio da VanEdge, Glenn foi um dos co-fundadores da PDI, CEO da Dreamworks Interactive e Vice-Presidente Senior da EA. Abordando o tema “Gamificação da Mídia Digital” Glenn falou sobre oportunidades disfarçadas de problemas. Destacou o fim da mão única na produção de conteúdo na web como o Youtube, Wikipédia e Facebook, onde os usuários deixam a atitude passiva de lado. E lembrou que essa “gamificação” da mídia é necessária para gerar uma experiência interativa ao consumidor. Cada vez mais os meios de comunicação aprendem isso e investem em games como forma atraente de propaganda de seus produtos e serviços.

Na programação o público presente estava bem servido de palestras, mesas redondas, artigos e tutoriais sobre cultura, computação, arte e design, além da mostra “Game e Arte”, que destacava trabalhos inovadores e poéticos de game design. Sem falar na mostra de games independentes, onde era possível jogar vários índie games nacionais. Estes últimos, infelizmente, mal localizados e um tanto escondidos fizeram com que apenas os mais exploradores pudessem encontra-los. Os stands foram poucos e sub-aproveitados. E até mesmo a presença da Sony, que tinha um PSP Go a disposição de quem quisesse experimentar, não trouxe grandes atrativos.

O que prometia ser o ponto alto do primeiro dia de evento foi uma grande decepção, a tarde, a palestra sobre o Zeebo desapontou. O tempo escasso de 30 minutos fez com que a apresentação fosse corrida demais e a falta de novidades desanimou a todos os que estavam presentes. Os palestrantes estiveram voltados demais para os aspectos técnicos e a tentativa desesperada de fazer propaganda do produto. Quem esperava novidades sobre o console ou algo que pudesse eliminar o estigma de “celularzão” que o Zeebo carrega acabou decepcionado.

gameproliferation02O segundo Keynote do dia foi sobre a Convergência de Mídias: Games e TV(e Redes Sociais). Dante Anderson, um dos desenvolvedores de Duke Nukem, que atualmente trabalha na Kuma Games, destacou a união entre Hollywood e a indústria de games. Segundo ele, os grandes estúdios entenderam que um bom game baseado em seus filmes pode render bons frutos. Também lembrou do surgimento de jogos nas redes sociais e de como isso tem gerado um efeito positivo na proliferação dos games.

No final da tarde, a mesa redonda tratou do tema “A imprensa especializada em jogos no Brasil tem algum papel para o desenvolvimento industrial?”. Contando com a presença dos jornalistas Théo Azevedo (Uol Jogos), Marcelo Tavares (Revista T.I. Digital) e alguns nomes do Abra Games, como André Penha e Emiliano de Castro, a mesa destacou pontos importantes como a dificuldade do trabalho da imprensa brasileira devido a ausência de empresas no país. A maneira como a mídia não especializada trata os games de forma amadora e pejorativa também esteve em foco. Além da relação de mutualismo entre a imprensa e a indústria, onde uma ajuda a outra a crescer e vice-versa; e como esse processo ainda é pequeno no Brasil.

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A mesa redonda de imprensa encerrou o primeiro dia de evento, castigado pela chuva, que não deu trégua em momento algum.

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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