O último dia da SBGames foi bem fraco e apenas duas atrações merecem destaque.

O último Keynote do simpósio, com o tema Games e Educação, ficou a cargo de John Nordlingler, da Microsoft, e rendeu bons comentários. Não pelo conteúdo, mas sim pelo fato da apresentação quase ter sido boicotada pelo, sempre estável, Windows Vista instalado no computador do palestrante. O sistema operacional da gigante dos softwares resolveu não ajudar (como sempre acontece) e obrigou John a pedir um notebook emprestado ao pessoal da organização. Que papelão…

microsoft01

Nordlingler utilizou os minutos que sobraram para apresentar a pior palestra de todo o evento, que fez questão de preencher com vídeos de jogos educacionais como City Rain, criado por uma equipe brasileira e vencedor do Imagine Cup 2008, o jogo segue o estilo Sim City, onde o jogador deve montar e administrar uma cidade ecologicamente sustentável e atentar para os problemas ambientais; Prime Factor, um jogo de fatoração para o Zune, ainda em desenvolvimento; e o controverso Choice, que nenhum dos presentes pareceu entender muito bem como funciona.

O ponto alto do dia foi a mesa redonda sobre o ensino de games no Brasil e na América Latina. Contando com a participação de Esteban Clua (UFF), Maria das Graças Chagas (Puc-Rio), Anibal Menezes (Image Campus – Argentina), Critian Arias (Escuela de Artes Digital – Peru), Paulo Figueiredo (CCAA, UFF), Bárbara Barroso (Portugal) e a bela Francieli Pessin (Hoplon).

A mesa discutiu pontos interessantes, como a ausência de bons professores no Brasil, o que dificulta o ensino de games no país e faz com que a qualidade dos cursos oferecidos não seja satisfatória.

Maria das Graças, que há pouco tempo defendeu sua tese de doutorado sobre a esfera de atuação do designer de games na indústria brasileira, lembrou que os designers brasileiros são pouco conhecidos pelos jogadores nacionais e que muitos deles pecam pela falta de prática durante a faculdade. “Muitos se preocupam apenas em se formar e durante a faculdade não praticam”

Bárbara Barroso deu uma visão do que acontece em Portugal, onde estão regulamentando o ensino de jogos em cursos superiores seguindo os moldes europeus. Critian Arias falou sobre a instituição de ensino que fundou no Peru, voltada ao games e Paulo Figueiredo, do CCAA, nos deixou a par das dificuldades de se criar um curriculum para um curso de games no país.

mesa_ensino01

Francieli Pessin divulgou números sobre a Hoplon e destacou que a mão de obra ainda é bem jovem (de 18 a 30 anos) e a demanda maior é nas áreas de programação e arte gráfica. Além disso, disse que a indústria nacional vive um paradoxo, já que muitas vezes é cobrado experiência prática para quem se candidata, o que é difícil de se obter em uma indústria que ainda está engatinhando no país. “Exigir experiência prática em indústria ainda é difícil no Brasil” disse.

Mas quando perguntada sobre qual o quesito mais importante para se trabalhar na Hoplon, Francieli foi direta: “Acima de tudo o mais importante é ter cultura gamer”.

Com duração de 1 hora e 40 minutos, a última mesa redonda do evento mostrou que ainda há muito o que ser discutido sobre o tema. Nas próximas edições do simpósio não seria má idéia se a organização dedicasse mais tempo a uma discussão tão importante como essa.

O encerramento oficial aconteceu com a premiação do festival de jogos independentes. Uma cerimônia bem fraca, ainda mais se comparada a festa cheia de pompa do dia anterior.

Na categoria mobile, o jogo de iPhone Tales of the Bast levou o prêmio. Keep it! Foi o vencedor da categoria consoles e Raidho levou a melhor na categoria PC.

E com isso a SBGames 2009 havia chegado ao fim.

Considerações finais
Impossível não gastar alguns parágrafos para comentar dos problemas presentes no evento. Um deles foi a localização de cada palestra. O campus da PUC é imenso e por conta disso os auditórios onde aconteciam as palestras ficaram muito distantes um do outro. Era preciso se deslocar por quase 10 minutos correndo de um lado ao outro tentando chegar ao local desejado.

A ausência de uma sinalização decente fez com que todos perdessem tempo. As placas eram escassas e continham pouca informação. Perguntar aos alunos o caminho para os auditórios era a melhor saída.

Some isso ao fato da chuva sem trégua que fez questão de marcar presença durante os 3 dias de evento e você terá uma ideia do quão frustrante foi a experiência em alguns momentos. Com o fim da palestra você era obrigado a perambular por alguns minutos no meio da chuva e sem a menor idéia de que caminho tomar. Quem quisesse aproveitar a situação e ficar rico era só aparecer por lá com uma tenda vendendo guarda-chuvas. Seria uma bela visão de negócios.

Mesmo com todos esses problemas o SBGames 2009 merece os parabéns pelo conteúdo apresentado e por ter se tornado o evento mais importante para a Academia e Indústria da América Latina. Além da chance de assistir palestrantes internacionais e ouvir o que eles tem a dizer sobre o mercado de games, o evento é uma ótima oportunidade para fazer contatos e conhecer um pouco mais sobre o desenvolvimento de jogos a nível nacional.

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

Twitter YouTube