Poucos games conseguem cumprir com louvor a tarefa de inovar fórmulas consagradas e levar a indústria a um novo nível. Em meio a avalanche de caça-níqueis que se tornou a industria dos games, os jogos de desenvolvedoras independentes e pequenos estúdios vem ganhando destaque pela originalidade. E em meio a isso tudo Bastion se destaca de seus pares e se torna mais uma prova irrefutável de que os games são verdadeiras obras de arte.

 

RESUMO – Vamos direto ao ponto

Como é:

Você anda pelos cenários enfrentando inimigos e fazendo a pilhagem em tudo que encontrar para depois melhorar suas armas e personagem e então partir para outro cenário onde começa tudo novamente.

Compre se:
  • Gosta de Action-RPG;
  • Quer ver como os games podem ser obras de arte;
  • Gosta de games com grande foco em narrativa;
  • Quer um jogo mais simples e sem grandes puzzles;
  • Acha que os games por download não valem seu tempo (esse aqui vai te provar o contrário).
Não compre se:
  • Acha que um bom jogo é feito só de tiro, porrada e bomba;
  • Quer puzzles, side quests, tramas mirabolantes e mais de 100 horas de jogo;
Conquistas:

O jogo não tem nenhuma conquista absurda ou que exija o fim de sua vida social. A maioria é relacionada à história, então não tem como perde-las. Jogando apenas uma vez você consegue 10 das 12 conquistas. A 11ª é obtida assistindo o segundo final e para conseguir a última é só terminar o jogo no modo New Game Plus.

Duração:

Na primeira vez, se você jogar com calma, fazendo os upgrades nas armas, coletando itens e vasculhando cada canto do cenário o game dura umas 8 horas. Entretanto, no New Game Plus, como você já começa com todos os itens, seus upgrades e níveis do jogo anterior, é possível correr como um cachorro louco e terminar a aventura em umas 2 ou 3 horas.

Replay:

Infelizmente após terminar o jogo duas vezes e pegar todas as conquistas não há muito o que te faça voltar à Bastion. Uma alternativa é comprar a DLC (80 msp na Live e de graça no Steam) que adiciona uma nova área ao jogo.

Prós:
  • Narrativa original e envolvente;
  • Gráficos belíssimos;
  • Trilha sonora excelente;
  • Simplicidade viciante;
Contras:
  • Curta duração;
  • Baixo fator replay;

MAIS DETALHES – Se você estiver com tempo…

Um mundo em pedaços

Produzido pelo estúdio independente Supergiant Games e distribuído pela Warner Bros Games, Bastion apresenta um mundo em pedaços, destruído após uma catástrofe conhecida como “Calamity”. O jogador acompanha Kid, um jovem de cabelos brancos e com grandes habilidades de combate, enquanto viaja pelo que sobrou do mundo em busca dos “Core”, cristais com o poder de regenerar o Bastion, uma grande estrutura flutuante desenvolvida com o intúito de unir o mundo novamente. Kid anda pelo que sobrou do mundo enquanto os pedaços do que restou de cidades, pântanos, minas e montanhas, se reconstrõem sob seus pés abrindo caminho para o jogador.

O jogo é um RPG de ação com perspectiva isométrica e combates rápidos e intensos. Os inimigos atacam de todos os lados e você precisa ser rápido usando as armas que adquire ao longo da jornada para defender e contra-atacar. Felizmente o jogo não é um “esmaga botão” e o jogador deve aprender a manusear perfeitamente as pistolas, escopetas, martelos, facões e outras armas, cada uma com seus pontos fortes e fracos, estudando qual a melhor combinação para enfrentar os inimigos de determinada área.

O Bastion conta com algumas estruturas que podem ser construidas para ajudar Kid a se preparar para as batalhas, dentre elas temos uma refinaria, com uma adega para organizar os espíritos que se encontra ao longo do jogo e que lhe conferem habilidades especiais como resistência à dano, mais energia ou maior chance de executar golpes críticos. Além disso ainda há uma fornalha, onde é possível aprimorar cada arma escolhendo quais habilidades melhorar. Você pode partir para uma estratégia mais ofensiva, equipando upgrades que melhorem seu ataque, ou pode optar por uma investida mais balanceada e melhorar outros aspectos de suas armas. O jogo ainda permite que se invoquem deuses, que modificam o comportamento dos seus inimigos e tornam sua vida ainda mais complicada, adicionando um desafio a mais no game.

Parte técnica impecável

A direção artística é magnífica. Tudo no mundo de Bastion é colorido com cores fortes e vivas e com máxima atenção aos detalhes. O game inteiro parece um quadro vivo, pintado à mão. O movimento dos personagens e inimigos são fluidos e tudo se move na tela mantendo o equilíbrio. O resultado são cenários vivos e um dos jogos mais bonitos que você já jogou nessa geração.

Se você é como eu e dá uma atenção especial à trilha sonora, prepare-se pois as músicas de Bastion ficarão na sua cabeça por um bom tempo. A trilha sonora mistura batidas mais fortes com algo que lembra um pouco o country norte-americano, enquanto as canções mais lentas aparecem nos momentos mais trágicos e emotivos, dando a ambientação certa. Destaque para “Build That Wall”, tema de Zia, e ganhadora do prêmio de “Melhor música” em 2011 no Spike Video Game Awards. Prêmio mais do que merecido. No site da SuperGiant Games é possível ouvir toda a trilha sonora e até mesmo comprar a versão digital ou em CD (para os mais saudosistas).

Deixa eu te contar uma história

Impossível falar de Bastion sem citar sua narrativa. O game conta com um narrador de voz rouca e tranquila que acompanha Kid ao longo de toda a jornada narrando dinamicamente as ações do jogador. Se você cair num buraco pode ter certeza de que vai ouvir alguma piadinha infame sobre como você deveria tomar cuidado onde pisa. Está se divertindo com o lança-chamas? Então prepare-se para ser chamado de piromaníaco diversas vezes. Até mesmo a escolha de itens, seus combates com inimigos, e, claro, toda a história e suas reviravoltas, é narrada constantemente, contribuindo ainda mais para a imersão. Se você gosta de games com grande foco na narrativa vai se apaixonar por Bastion e mais ainda na maneira incrível como ele mostra que não é preciso CGs longas e milionárias para se contar uma boa história.

 

A linearidade marca presença aqui. Infelizmente um dos pontos mais chatos é que não é possível voltar nas áreas já completadas. Esqueceu algum item? Precisa de mais dinheiro ou experiência? Então é bom vasculhar bem cada lugar em que pisa pois não vai ter uma segunda chance. Mas se a situação estiver complicada é só recorrer ao “Who Knows Where”, uma espécie de arena onde você deve enfrentar 20 ondas de inimigos em troca de dinheiro e experiência. O bacana é que cada “Who Knows Where” conta a história de um personagem da trama. No fim de cada onda de inimigos o narrador revela um pouco mais sobre o passado de um personagem, dando um motivo a mais para o jogador se esforçar e sobreviver a todas as lutas.

Já acabou?

Mas como o que é bom dura pouco, Bastion é bem curto. O jogo pode ser terminado em 8 horas quando se joga pela primeira vez buscando os upgrades das armas, concluindo os desafios e ganhando níveis. Após terminar o jogo uma vez é disponibilizado o New Game Plus, onde é possível jogar tudo novamente mantendo seus itens, upgrades e níveis. E ai então pode-se correr e ignorar tudo, terminando a aventura em apenas 2 horas.

Conclusão

Bastion deixa muitos jogos da geração atual com inveja. O game mostra que não é preciso gráficos ultra-realistas, trilha sonora explosiva e nem tramas complexas para criar um jogo divertido, envolvente e impecável. Sem dúvidas Bastion é um dos melhores games desta geração. Faça um favor a sí mesmo, jogue e desfrute dessa história memorável.

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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