Existe uma clara diferença no modo de desenvolvimento entre dois modelos na indústria: os que publicam no varejo, com ajuda de distribuidoras, e os independentes, que disponibilizam por conta própria e, normalmente, financiam seus próprios projetos. Enquanto o primeiro lado está sempre numa corrida pela tecnologia de ponta, o outro, que não tem os mesmos recursos de dinheiro e tempo, focam na única coisa que outros produtos de entretenimento (fora os jogos) não possuem: jogabilidade.

E quanto a isso, existe um fato: se você dedica seu tempo e dinheiro a um, você vai ter que sacrificar o outro lado. Talvez seja uma boa ideia pensar na seguinte situação: qual você escolheria?

Convido todos os leitores a criarem uma lista de seus títulos preferidos de todos os tempos. Acredito que dez sejam suficientes, mas pode colocar mais se quiser. Feito isso, analise quantos eram incríveis em tecnologia gráfica na época de seu lançamento, além de ter uma jogabilidade divertida também. É óbvio que você vai encontrar alguns. Eu mesmo tenho. E, recentemente, The Witcher 2 virou um favorito dos fãs de RPG, e é impressionante visualmente.

Mas a maioria não deve ser assim. E por quê? Os desenvolvedores dedicaram seu tempo a criar uma jogabilidade divertida e única. Já pensaram no motivo de jogos independentes como LIMBO, Super Meat Boy, Braid e World of Goo serem tão queridos? O que não possuem de qualidade técnica, sobram na parte artística e nas mecânicas do título.

É óbvio que não são apenas independentes. A Valve, que tem natureza indie, mas depende de outras empresas para lançar a versão de varejo, mostra isso na série Portal. Ultimamente, até pelo lançamento do segundo título da franquia, vi algumas pessoas alegando que “os gráficos poderiam ser melhores”.


Pensem do seguinte modo: Em Portal, um título de puzzles, o ambiente é seu maior inimigo. Com mais detalhes gráficos era provável que o jogador se distraísse dos elementos em que precisava se concentrar. Ademais, se a equipe de desenvolvimento tivesse se concentrado mais nesse elemento teriam que sacrificar algo da jogabilidade. Alguém gostaria de sacrificar os géis, as pontes e ondas luminosas ou as animações divertidas do modo cooperativo em troca disso?

Não estou dizendo aqui também que desenvolvedores precisam parar de pensar na parte gráfica. Muito pelo contrário. Jogos que conseguem ser incríveis visualmente e possuem uma jogabilidade divertida existem, como já percebemos, e o investimento agora pode fazer com que tecnologias fiquem mais baratas, com menos erros e que possam ser mais usadas no futuro.

E existe também a parte do conjunto. Não existe uma única parte mais importante do desenvolvimento entre jogabilidade, áudio, gráficos e modos de jogo. Um influencia o outro. O estilo gráfico pode facilitar ou dificultar para o jogador, elementos sonoros fazem com que você possa prestar atenção em alguma ação relacionada ao jogo, e assim por diante. É claro que games bonitos são um colírio para os olhos,  mas é nosso papel criar um conjunto que conecte bem todas as partes.

Game Designer da Give me Five