O mundo dos games evoluiu, deixou de ser algo ligado somente aos nerds e os mais aficionados a tecnologia e hoje adquiriu presença na vida de todo mundo. Agora não só os nerds passam horas jogando, mas também seu pai, sua mãe, seu chefe, seus amigos e até aquela garota sensacional que mora no seu bairro com quem você vive tentando puxar assunto.

Como os games evoluíram, assim também fizeram os jogadores. Agora o público gamer pode ser dividido em pequenos grupos, cada um com características distintas e personalidades marcantes. Temos desde a dedicação e paixão dos mais viciados, digo, hardcores, até o ar descompromissado dos casuais, passando por aqueles que deixam aflorar seu lado crítico, nostálgico e até mesmo pentelho e dono da verdade. Um admirável mundo novo.

Com isso em mente vamos analisar alguns dos esteriótipos mais comuns no mundo dos games. Há muitos outros estereótipos e personalidades gamers pelo mundo afora, mas vamos nos concentrar apenas nos principais, os que abrangem um número maior de jogadores. Se você não se identificar com nenhum deles – o que já é bem difícil – então ao menos conhece alguém que se identifica. Um bom exercício de análise psicológica e que nos rende algumas boas risadas no final.

O hardcore

Gamers hardcores são facilmente identificáveis após 2 minutos de conversa. Você sabe que o camarada é um hardcore quando ele conhece de cor e salteado todos as pessoas que trabalharam naquele jogo que ele acha magnífico, se diverte contanto curiosidades e detalhes sórdidos da indústria dos games ou passa horas murmurando trechos de trilhas sonoras e perguntando “Você conhece essa?”.

Fisicamente alguns até espantam, após uma noitada em claro jogando com os amigos na Live ou PSN, o gamer hardcore parece ter saído de uma guerra, com cabelos despenteados, roupa amarrotada, barba grande e as olheiras. Aliás, as olheiras são fiéis companheiras de boa parte dos gamers hardcore.

Quando o hardcore não está jogando ele está na frente do computador pesquisando qual o próximo game vale a pena jogar, e quando não está fazendo isso com certeza está conversando sobre games com outros amigos hardcore ou ponderando se vale a pena dormir esta noite ou melhor se dedicar a mais algumas horas para terminar aquele jogo viciante. Defendem com veemência que o Wii é a coisa mais idiota já criada e sempre que podem encontram uma brecha na conversa para demonstrar o quão vergonhoso é o papel da Nintendo nisso tudo.

Ele não descansa enquanto a princesa não for salva, não larga o controle até aprender todos os combos selvagens e os especiais impossíveis e não para de xingar até conquistar o troféu que você só recebe ao vencer todas as corridas em marcha ré.

Empíricos por natureza, os hardcores não precisam de manuais, jogam sem medo do desconhecido e preferem descobrir tudo ao longo da jogatina, aprendendo por experiência própria. Também não suportam tutoriais demorados ou obrigatórios, proferindo ameaças de morte quando algum tutorial se coloca entre ele e seu objeto de desejo: o game em sí.

O gamer hardcore possui uma lista de sites, blogs e fóruns sobre games e que ele visita e comenta todo santo dia para se manter o mais atualizado possível.

Comumente chamado de “Viciado”, o hardcore não aceita essa denominação e a julga totalmente errônea. Afinal, ele não é um viciado, pois sabe se controlar e joga apenas quando é o “dia de jogar”. E praticamente todo dia é “dia de jogar”.

O fanboy

O fanboy é um pentelho. Para ele a empresa ou plataforma a qual defende é superior a todas as outras e ele é a pessoa mais inteligente do mundo por perceber isso, o que o destaca dos demais idiotas que não pensam o mesmo.

Se decidir falar mal da empresa ou plataforma do fanboy é bom se preparar para defender bem sua tese contra uma sequência de dissertações seguidas de argumentações ad-hominem e por fim uma pancadaria (em casos mais extremos).

A empresa defendida pelo fanboy é o sonho de qualquer empresário: seus títulos são todos um sucesso, cada lançamento merece nota 10, todos os personagens criados são carismáticos, memoráveis e marcantes, a empresa nunca passou por uma fase ruim, é de extrema importância para o mercado de games e ainda por cima está sempre um passo a frente de seus concorrentes. Sensacional, não acha? Uma pena que só o fanboy enxergue isso.

Geralmente sua atitude cabeça dura os exclui de diversas rodas de discussões e seus amigos que, quando não são muito pacientes, se limitam apenas a outros fanboy adoradores da mesma empresa. Porém, o maior perda é a intelectual. Cego pela arrogância, o fanboy deixa de jogar grandes pérolas do mundo dos games por puro preconceito.

Não importa se alguma outra empresa ganhou rios de dinheiro com um ótimo jogo, se todas as revistas, sites e fóruns só falam naquele lançamento e se o game for apontado por muitos como “Jogo do ano”. Se não for da empresa que o fanboy defende então o jogo não presta e todas as glórias que anda recebendo são porque os jogadores de hoje são uns bastardos sem cérebro que não sabem apreciar bons jogos. Sim, eu disse que ele era um pentelho.

O casual

Comumente usada de forma pejorativa, a personalidade de gamer casual é vista pelo hardcore e pelo fanboy como algo digno de pena. Afinal, como pode existir algum ser na galáxia que não consiga passar ao menos 50 horas semanais jogando, não possua um ranking invejável de troféus e conquistas online, não saiba citar 120 nomes de personalidades importantes do mundo dos games em 1 minuto e que, oh, Deus, essa é a pior parte, como pode existir alguém que só jogue videogames de vez em quando, pra passar o tempo apenas? Inacreditável, não é mesmo?

Acontece que o gamer casual só está interessado em aproveitar uma jogatina descompromissada de vez em quando. Ele não tem nenhuma pretensão de conhecer nomes importantes da indústria, terminar todos os jogos em 100% e muito menos passar horas lendo e discutindo sobre isso na internet. Ele só quer jogar, e está muito feliz com isso, obrigado.

O casual detesta games com mecânicas complicadas e que exijam horas de aprendizado. O fator diversão aqui é bem mais importante do que qualquer outra coisa. Poder salvar seu progresso e interromper a jogatina a qualquer momento também é um dos requisitos básicos para a compra dos casuais, já que dificilmente dispõem de horas para perambular em busca de save points.

Sua biblioteca de games e seus consoles apresentam um tempo de vida consideravelmente maior do que o esperado, já que os casuais não estão preocupados em sempre possuir a geração de consoles mais atual e demoram mais para terminar seus jogos por desfruta-los em pílulas, e não a la overdose, como os hardcores.

O nostálgico

Também conhecidos como Old-School Gamers, nostálgicos adoram games e consoles antigos. Para eles nada mais emocionante que passar uma tarde de domingo jogando várias partidas de Enduro no Atari 2600 ligado àquela TV antiga da sua avó.

Vivem cercados por games, consoles e todo e qualquer tipo de parafernália que tenha mais de 15 anos e estão sempre no Ebay dando lances em jogos de Nes ou qualquer tipo de porcaria relacionada a games antigos.

Exibe sua coleção com todo orgulho e sempre nos deixa curiosos para descobrir onde ele guarda tanta tranqueira.Chame algum item antigo do nostálgico de “velharia” e você já conquistou sua antipatia pelo resto da vida, afinal, no mundo dos games não existe velharia, e sim “raridade”.

O nostálgico defende que os games de hoje foram profanados pelas empresas estúpidas que estão preocupadas apenas com os gráficos e o multiplayer online. Diz que nada disso era importante antigamente e que por isso os jogos antigos eram mais divertidos e criativos.

Acham que os games atuais são muito fáceis e que qualquer retardado que seja capaz de apertar botões o mais rápido possível os termina sem problema, enquanto games da geração 8 bit, por exemplo, eram mais desafiadores e apenas os dignos de respeito os terminava. A indústria estava melhor na era em que os sons não passavam de “blips e blops” e os pixels eram do tamanho de uma tangerina, acredite neles.

O blogueiro

De postura crítica, nunca satisfeito e sempre atualizado, e com um grande ênfase na auto-promoção, essas são as principais características dos gamers blogueiros.

Blogueiros adoram compartilhar sua opinião com o mundo e se sentirem um tanto celebridade com isso. Costumam postar notícias de outros site, movendo apenas algumas linhas de lugar ou trocando meia dúzia de palavras, escrevem análises intermináveis sobre os games que jogou, faz hype a cada grande lançamento e ainda encontra tempo para semear a discórdia falando mal de algumas empresas e despertando a ira dos fanboy.

E como adoram escrever geralmente publicam postagens imensas em seu blog, esperando que todos os usuários sejam desocupados como ele e leiam tudo e ainda comentem no final. Aliás os comentários, junto com o Ad-Sense, claro, são uma forma de pagamento do blogueiro, mais comentários significa maior número de visitantes, maior visibilidade e um possível destaque, o que é essencial para a auto-estima de nosso escritor brilhante.

Os blogueiros se utilizam de diferentes estratégias para promover seu conteúdo. Uns se focam em notícias, mantendo o blog o mais atualizado possível, já outros apostam em matérias mais elaboradas, alguns apelam para a comédia e os mais extremos decidem adotar uma postura crítica e reclamar de tudo e de todos e cada postagem parece um ataque de TPM direcionado a um assunto.

São os responsáveis por disseminar boa parte das fofocas boatos, sobre o mundo dos games e estão sempre de olho buscando entrar de graça em eventos, prontos para ostentar o crachá escrito “Imprensa”.

Dando-lhes os devidos créditos, são os blogueiros também responsáveis por esquentar certas discussões e escrever sobre assuntos pouco citados em sites e revistas que não querem ficar mal diante das empresas. O fato de muitos blogueiros não estarem presos a nenhuma organização os torna livres para publicar suas opiniões sem moderação, sejam elas positivas ou negativas.

Gamers blogueiros sonham ser descobertos por alguma grande empresa que decida patrocinar seu blog e ganhar rios de dinheiro vivendo só disso. Ganhar muito dinheiro apenas jogando videogame e escrevendo… Pensando bem não é um sonho apenas dos blogueiros.

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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