Nos dias 05 e 06 de dezembro foram realizadas as provas do novo Exame Nacional do Ensino Médio, vulgo Enem. Com a proposta de substituir o vestibular em diversas Universidades do país e servindo como ponto extra para outras, todo o conceito do exame foi reformulado. Desta vez foram 180 questões e uma redação divididas em 2 dias de provas. Se quiser saber mais sobre as mudanças é só clicar aqui.

Fiz a prova, e abaixo você confere minhas impressões. Já que esse Enem deu o que falar vença a preguiça e aproveite para comentar no final.

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A impressão que ficou foi de que, depois do roubo da primeira prova, todo o resto foi realizado às pressas e o produto final foi algo mal estruturado e difícil de receber elogios. Questões muito longas já eram uma das características do Enem. O problema é que desta vez tivemos de lidar com 90 delas por dia. Aumento considerável se lembrarmos que antes eram apenas 60 e um dia de prova.

O nível das questões era mediano. Não havia nada absurdamente difícil. Manter a concentração durante a leitura do enunciado, deveras extenso, era o maior problema. E como era fácil se desconcentrar e acabar se perdendo na leitura você era obrigado a reler o mesmo trecho 2 ou mais vezes até finalmente depreender tudo que precisava. Como resultado você perdia um tempo precioso em cada questão. O que nos leva ao segundo problema: o tempo.

Pode parecer absurdo, mas as 4 horas e meia do primeiro dia de prova, e posteriormente, as 5 horas e meia do segundo dia, não pareceram ser suficiente para que o candidato desse conta de responder todas as questões e ainda marcar o cartão resposta. Poucos foram os que conseguiram tal feito sem ter que chutar alguma questão.

No sábado vários locais de prova fecharam seus portões mais cedo, deixando uma multidão do lado de fora, gerando protestos e confusão em vários Estados. O fuso horário atrapalhou um número enorme de pessoas em algumas regiões do país (a prova começava as 13:00, no horário de Brasília). Em São Paulo obras em alguns trechos fizeram com que muitos candidatos se atrasassem. Mas mesmo assim para o MEC o primeiro dia de prova foi tranquila, como fez questão de dizer. Infelizmente, nem todos compartilharam da mesma opinião.

A prova de domingo merece destaque. Não sei como o MEC consegue imaginar que uma pessoa será rápida o bastante para fazer uma redação, depois partir para a prova de português, cheia de textos, poemas e músicas e ainda conseguir terminar, satisfatóriamente, a prova de matemática. Esta última era sensacional, enunciados infernais e contas que, caso não fossem feitas as devidas aproximações, consumiam minutos a fio. Uma tortura para nossos cérebros já cansados. O mais difícil, como sempre, era manter a concentração. Uma prova de matemática ligeira e com enunciados curtos é item mais que obrigatório nesta situação. Parece que o MEC não pensa assim.

O saldo final foi de 37,7% de faltosos, onde, dos 4 milhões de inscritos, somente 2,6 milhões fizeram as provas. O maior número de abstenções já registrado no exame. Um gabarito oficial foi divulgado com as respostas embaralhadas e deixou muitos de cabelo em pé. O MEC pediu desculpas e publicou um novo gabarito. E uma questão anulada na prova de Linguagens e suas tecnologias. Bastante notícia negativa para uma só prova, não?

A idéia foi muito boa e não merece ser descartada, mas o Novo Enem, da maneira como foi realizado possui falhas que precisam ser consertadas. Com o adiamento das provas devido ao roubo todos saíram perdendo, os resultados serão divulgados bem mais tarde do que esperávamos e algumas instituições de ensino superior perderam completamente o interesse pela prova. Um dos motivos para o grande número de faltosos.

Vale lembrar que esse ainda é o primeiro ano do novo modelo da prova e o processo ainda é experimental. Resta torcer para que no próximo ano as falhas sejam corrigidas e tudo ocorra sem maiores problemas.

Os resultados só serão divulgados dia 05 de fevereiro de 2010, quando entra em vigor o novo sistema online para a disputa de vagas nas Universidades que aderiram ao projeto. A partir de então os candidatos irão digladiar, como carniceiros, por uma vaga em uma Instituição de Ensino Superior. Vai ser divertido.

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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