Escrevo de Belo Horizonte, Minas, direto do S.W.I.B., o evento que reúne pela primeira vez 4 dos mais importantes simpósios da área de T.I. em um só lugar. Estão ocorrendo aqui o Simpósio de Fatores Humanos em Computação, Simpósio Brasileiro de Banco de Dados, Simpósio Brasileiro de Sistemas Colaborativos e o WebMedia.

O conteúdo do Simpósio, em sua maioria, é recheado de palestras técnicas e demonstrações de pesquisas e teses. O que deixa um jovem leigo da graduação como eu um pouco perdido, mas fascinado com tudo o que ouço e vejo.

Como o Deu Tilt não é voltado para esse lado mais acadêmico, reservo-me aqui a falar apenas do que considero ser de interesse coletivo aos leitores do blog. Você me entende, não é?

Acontece que o primeiro dia do S.W.I.B. foi marcado por muita expectativa enquanto todos aguardavam a palestra de Fernanda Viégas, a brasileira é atual líder do grupo de visualização “Big Picture” do Google, em Cambridge. Antes de entrar para a gigante da internet, Fernanda fundou um estúdio de visualização voltado para mídia, o “Flowing Media”, e participou do projeto Many Eyes, enquanto liderava o Visual Commmunication Lab, da IBM. Pois é, a moça tem muita história pra contar e esbanja competência, não a toa sua palestra lotou o auditório e deixou todos anestesiados ao final.

Fernanda versa sobre o tema “Visualização pública: Transformando o acesso a informação”, e começa sua apresentação demonstrando um pouco do Google Suggest, o mecanismo de sugestão de palavras-chave do Google. Para quebrar um pouco o gelo ela apresenta também o WebSeer, site que compara os resultados mais pesquisados na ferramenta de busca.

Em seguida entra em cena o History Flow, elaborado por ela, enquanto trabalhava na IBM, a ferramenta monitora a visualização de contribuições do Wiki, permitindo ao usuário visualizar um verdadeiro histórico de todas as entradas e saídas de dados relativos àquele assunto, bem como anotações dos usuários sobre os porquês das modificações realizadas.

É a vez de Fernanda mostrar o Many Eyes. Nele qualquer pessoa pode carregar dados e gerar visualizações em diversas formas de representações gráficas. Se a idéia te parece boba, o Many Eyes faz questão de te mostrar o contrário. Acontece que essas visualizações são públicas, o que significa que outros visitantes do site podem consultar visualizações criadas por você e vice-versa.

O resultado final é um imenso banco de dados de visualizações sobre os mais diversos temas, indo desde o crescimento da Bovespa em 2009 e a morte nas grandes cidades, até uma visualização sobre o perfil das pessoas de seu casamento.

Fernanda ainda conta que, apesar de ter sido concebido para o usuário mais leigo, o Many Eyes atraiu a atenção de cientistas e pesquisadores, que geraram visualizações de suas pesquisas e descobriram novos padrões e informações novas quando visualizaram seus dados pelo Many Eyes.

Os jornais também aderiram a ferramenta, tanto que o New York Times decidiu criar sua própria versão do produto. O resultado é o mesmo, mas conta apenas com os dados obtidos a partir do conteúdo gerado pelo próprio jornal, sem informações de terceiros.

O Many Eyes ocupou boa parte da apresentação e conseguiu conquistar completamente o público. Já era possível notar alguns desbravadores, com notebooks ligados tentando gerar suas próprias visualizações e testar a ferramenta, enquanto outros divulgavam freneticamente no Twitter.

Dividindo o palco com ele estava o World Tree. Um projeto ambicioso que gera visualizações de conteúdo não estruturado na forma de árvore de dados relacionando as palavras solicitadas. Eu explico: Ao acessar o World Tree o usuário pode digitar o que desejar no campo de texto. Em seguida aquele frase ou palavra é procurada em todo o banco de dados junto com todo e qualquer conteúdo relacionado a ela. O resultado é exibido ao usuário, demonstrando ainda as maiores ocorrências. Confuso, não? Uma imagem vale mais que mil palavras.

Ora, se visualizar dados é fácil então o que se pode dizer de desafios maiores, como gerar visualizações dos desejos? O Touch te mostra como. O site apresenta um mapa corporal que representa um retrato coletivo do desejo. Mapeadas todas as áreas do corpo humano, o projeto realizou uma pesquisa com 33.871 pessoas e desejava descobrir quais partes do corpo homens e mulheres mais desejavam que fossem tocadas em seus relacionamentos e partes seus parceiros desejavam tocar.

O “Mapa do Desejo” trouxe informações que todos já esperavam (adivinha quais foram os mais votados), mas também revelou novas áreas “especiais”. Após o estudo é possível inferir que, enquanto as partes mais baixas continuam sendo as mais cobiçadas, na verdade a nuca é a região do corpo que as mulheres mais desejam ser tocadas. Sim, a nuca. Por essa você não esperava, não é? E nem a platéia.

Assistir uma palestra tão boa como essa e ainda descobrir que as mulheres preferem carícias na nuca foi um excelente bônus aos homens presentes. Isso prova que não se aprende só sobre tecnologia nesses simpósios. Fernanda ainda completa, “Sim, a nuca… Interessante, não é? Pois então… Tomem nota”. E eu realmente anotei. Você não anotaria?

Pra terminar a apresentação Fernanda exibiu mais alguns projetos de visualização feitos por ela, como um mapa de cores das capas da revista Wired e outro das estações do ano em Boston.

Explicitando que vê a visualização como o foto-jornalismo do futuro, Fernanda termina completa “A visualização está deixando de ser algo acadêmico e se tornando uma forma de comunicação”, que com isso termina sua apresentação recebendo uma série de aplausos.

Essa foi uma das palestras internacionais que são destaque deste evento, que só termina na sexta. Enquanto isso continuo por aqui acompanhando tudo.

Aproveite as ferramentas apresentadas e brinque um pouco com elas. Vale muito à pena, viu?

E agora vou indo porque daqui a pouco me apresento. Serei um dos participantes do painel “Uso de Redes Sociais pelos jovens”. Eu não sei como será, mas daqui a pouco descubro. E prometeram gravar tudo, então, vejo se depois consigo o vídeo e posto aqui para você, prometo.

E vamos que vamos…

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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