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Steve Jobs não era nenhum desenvolvedor, ao longo de sua vida ele não redigiu uma linha de código que estivesse presente nos produtos da Apple. Também não era engenheiro, designer e nenhuma outra dessas profissões fortemente ligadas à tecnologia. Entretanto, sem ele a computação pessoal não seria essa que conhecemos hoje.

IMG_20130824_171046Mesmo sem executar papéis operacionais, Jobs foi peça fundamental em algumas das mais importantes inovações no ramo da computação, desde o Apple 2 até o iPod, iPhone e iPad, liderando equipes, vetando ideias que julgava serem péssimas e, muitas vezes, forçando a aceitação de seu ponto de vista. Ele tinha o que todos chamavam de “Campo de distorção da realidade”, que nada mais era do que uma maneira bonita para dizer que Jobs mentia. Ele dizia que os produtos estariam prontos até o final do ano quando toda a equipe jurava ser impossível, prometia que os aparelhos venderiam horrores quando o mercado mostrava claramente o contrário e exigia funcionalidades mirabolantes e impossíveis de serem implementadas em tão pouco tempo. Mas no final o campo de distorção funcionava de alguma forma e tudo dava certo.

A biografia de Jobs é um livro imenso de mais de 600 páginas. Ao final da leitura você aprende o quanto Steve podia ser um completo babaca com todos que o cercavam além de pirado em suas dietas radicais. Mas ao mesmo tempo uma pessoa com grandes ideias, personalidade fascinante e completamente envolvido com seu trabalho e os produtos que lançava.

Abaixo você confere dez lições que aprendi ao ler a biografia de Steve Jobs. Todas elas podem ser aplicadas no seu trabalho, seja ele qual for, e também na vida pessoal.

1. Design e experiência do usuário merecem atenção especial

Steve se enxergava como uma pessoa que vivia na interseção entre a tecnologia e as artes e por isso focava tanto no design de seus aparelhos. Essa obsessão levou Jobs à controlar completamente toda a experiência, desde o hardware ao software que o acompanhava e até o conteúdo disponibilizado, tudo era integrado e criado pela Apple ou aprovado pela mesma. Essa medida, que até hoje é muito criticada, toca num dos dilemas fundamentais da computação, o modelo aberto com hardware e sistemas diferentes trabalhando em conjunto, à escolha do usuário, contra o modelo fechado e integrado. Steve provou que o modelo fechado pode dar certo e prover uma excelente experiência. Quando se está dentro do ecossistema da Apple o consumidor fica maravilhado pelos sistemas intuitivos e a atenção aos detalhes que tornam a experiência agradável.

2. Simplifique

Uma boa experiência de usuário é simples. Jobs detestava menus complicados e funções que apenas os mais aficionados saberiam utilizar. Os produtos da Apple tinham que ter um sistema simples e que fosse amigável à todo o tipo de consumidor. Nas reuniões com sua equipe Steve exigia menos cliques para executar as tarefas e um visual minimalista, limpo.

3. Mantenha o foco, descarte o que não for essencial

Quando voltou à Apple, em 1996, Steve encontrou a empresa que ajudou a fundar em maus bocados. Haviam perdido o foco e os produtos já não faziam mais tanto sucesso. Uma das primeiras medidas de Jobs quando retornou (além de vingar-se dos que o haviam traído) foi cortar tudo que não era essencial, focar nos poucos produtos que realmente importavam e fazer com que eles voltassem a cativar os usuários. Anos depois, quando conversando com Larry Page, cofundador do Google, Jobs comentou: “O principal que enfatizei foi o foco. Imagine o que o Google quer ser quando crescer. Agora ele cobre tudo. Quais são os cinco produtos em que você quer se concentrar? Livre-se do resto, porque são coisas que te puxam para baixo.”

4. Se não gostou diga, não tenha medo de expôr sua opinião

Jobs era uma pessoa sem meio termos. Ou ele adorava o que você estava fazendo e chamava seu trabalho de genial ou então ele detestava profundamente e não cansava de repetir que era uma merda. Essa atitude, que não levava em conta os sentimentos das outras pessoas, rendeu muita crítica e reprovação à Steve. Mas o que não se pode negar é que, foi justamente por não ter medo de expôr sua opinião (por pior que fosse), que os produtos que ele lançava tinham impressos sua personalidade, seu foco em perfeição e atenção aos detalhes. Se não era do seu agrado ele fazia questão de que todos soubessem. Em todos os seus projetos Jobs agia com a mesma intensidade e paixão. O mundo seria um lugar melhor se as pessoas não tivessem tanto medo de expôr o que pensam e se preocupassem menos em parecer sempre politicamente corretos e simpáticos.

5. Você não precisa saber tudo, apenas garantir que está cercado de pessoas realmente boas no que fazem

Jobs não programava, mas estava cercado de bons programadores, não projetava circuitos, mas contratou os melhores engenheiros que encontrou, não assumia papel de designer ou passava horas fazendo os modelos em isopor dos produtos, mas tinha Jonathan Ive, e com ele dividia sua paixão pela perfeição estética dos aparelhos. Steve focava-se no que ele realmente era bom, liderança e grandes ideias. Todo o resto era executado por pessoas em quem confiava e que eram excelentes no que faziam. Concentre-se no que você é bom e torne-se excelente. Se você tentar melhorar em áreas onde claramente é fraco, o máximo que vai conseguir é ser alguém medíocre naquela área. É melhor a excelência em umas poucas habilidades do que a mediocridade em muitas delas.

6. Pessoas classe A querem trabalhar com pessoas classe A

Se você é um bom desenvolvedor vai querer trabalhar com outros bons desenvolvedores, se é um bom designer sua equipe deve ser composta apenas pelos melhores. Jobs acreditava que profissionais excelentes, o que ele chamava de classe A, se sentiam desmotivados ao ter que trabalhar com pessoas de níveis inferiores. Com isso o resultado final ficava comprometido e aos poucos sua equipe desmoronava porque você não foi um líder bom o suficiente para identificar e substituir os profissionais medíocres do time. As equipes lideradas por Steve eram compostas por pessoas escolhidas à dedo por ele mesmo e que, por conhece-lo, sabiam que esperava nada menos do que a perfeição e dedicação total ao projeto pois estavam à altura do desafio. Afinal, Jobs os considerava classe A.

7. Você será criticado

Steve criou produtos incríveis como o iPod, iPad, iPhone, iMac, iTunes, baniu a caneta stylus para dispositivos touch, reimaginou o computador como um hub digital agregando música, vídeo e fotos, travou batalhas fervorosas contra gigantes como IBM e Microsoft, fez com que os computadores deixassem de ser um hobbie para nerds viciados em eletrônica e se popularizassem como um produto para todos, tornou a Pixar um dos mais famosos, rentáveis e criativos estúdios de animação do mundo, mas ainda assim era constantemente criticado. Seja por sua personalidade difícil, suas opiniões fortes, seu jeito de fazer negócio e até mesmo suas dietas. Perceba que, não importa o que faça, você sempre irá receber críticas. Algumas construtivas, outras nem tanto. O importante é o que decide fazer quando elas te batem com força. Você pode abaixar a cabeça, moldar sua personalidade e quem você é para o que os outros querem, ou pode resistir, aceitar as críticas, e permanecer imbatível.

8. Não seja tão babaca o tempo todo

É importante manter o foco, expôr sua opinião de forma sincera, receber críticas e continuar seguindo em frente, mas não precisa ser um babaca. Por mais que você esteja certo, ser paciente e explicar tudo em detalhes é mais interessante do que gritar e forçar seu ponto de vista para outras pessoas. Ser gentil e tratar bem membros da equipe ainda é a melhor forma de ganhar respeito e credibilidade. Praticar a empatia faz bem. Jobs era genial, mas conseguia agir como um completo babaca em determinados momentos.

9. Tente algo novo, explore novas possibilidades e saia de sua zona de conforto

Após ser demitido da Apple, Jobs passou um bom tempo em crise, chorando e se perguntando o que fazer em seguida. Fundou a NeXT que, apesar de bem promissora e seus produtos singulares, não emplacou e foi comprada pela Apple anos depois (curioso como um “fracasso” de Steve ainda consegue ser algo incrível). Em meio a isso tudo comprou a The Graphics Group, uma divisão da LucasArts especializada em computação gráfica, e que mais tarde se tornaria a Pixar. Com esse movimento Steve saiu parcialmente de sua zona de conforto. Ainda lidava com tecnologia, mas não tinha experiência alguma com animação. Tanto que seu envolvimento nos projetos do estúdio nunca chegaram ao nível do que ele fazia na Apple. Entendia que os artistas precisavam de liberdade e trabalhavam sem muita interferência. Seu gosto pelas artes fez com que Steve se apaixonasse completamente pelos projetos do estúdio e os trabalhos de John Lasseter. Sair da zona de conforto fez muito bem para Jobs e permitiu que ele expandisse ainda mais seus horizontes, experimentasse novas perspectivas de negócio e um mercado bem diferente. Sair do seu mundinho pode acabar rendendo bons frutos.

10. Faça como se fosse pra você mesmo

Quando perguntado sobre o porquê dos produtos da Apple fazerem tanto sucesso, Steve comentou que um dos principais motivos era que toda a equipe os fazia como se fossem para eles mesmos, dessa forma todos os mínimos detalhes eram levados em conta. Se você está fazendo algo para si a tendência é que faça muito bem feito. Os projetos sempre recebiam atenção especial e todos se imaginavam usando os aparelhos e os sistemas operacionais, sugerindo melhorias e focando em gerar a melhor experiência possível. Seguindo essa linha de raciocínio a Apple conseguiu agradar os usuários e conquistar sua legião de fãs.

 

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode…

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