O poderio militar sempre foi indicador de poder entre as potências mundiais. A relação é simples e direta: quem está mais armado é mais forte, logo, dita as regras. Entretanto, com o fim da Segunda Guerra Mundial um outro fator importante entrou em jogo: o dos armamentos nucleares.
Bombas nucleares, como as utilizadas sob as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, possuem uma potência ridiculamente grande e são capazes de varrer territórios do mapa em segundos, ceifando milhares de vidas ao longo do caminho.
Com tamanho poder nas mãos do homem não é de se espantar que o mundo se coloque em permanente estado de alerta. O que faz com que o anúncio de programas nucleares por países como Irã, cuja fama não se dá pela vida pacífica de seus cidadãos, gere toda uma onda de desconfiança e temor nos 4 cantos do globo. E foi o que aconteceu…
Entendendo o problema
Em 17 de junho, o Irã anunciou estar enriquecendo urânio a 20% de pureza. O Chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, declarou que o país já possuía 17 kg de urânio enriquecido e detinha tecnologia para produzir 5 quilos por mês. A justificativa foi a de que precisavam fabricar combustível para o reator médico em funcionamento e que seu programa nuclear é pacífico visando apenas a geração de eletricidade.
Uma onda de desconfiança invadiu o Ocidente, que vê o programa nuclear iraniano como um pequeno passo para a criação de armas nucleares. Com isso o país passou a sofrer diversas sanções internacionais por parte da ONU, Estados Unidos e União Europeia. Entretanto, o Irã já declarou que dará continuidade a seu programa nuclear mesmo com as retaliações.
A participação verde e amarela
E onde entra o Brasil nisso tudo? Em 17 de maio o Brasil, junto com a Turquia assinou um acordo com o Irã, o qual se comprometeu a entregar 1.200 kg de urânio parcamente enriquecido (3,5%) em troca de 120kg de combustível processado (com 20% de pureza, o necessário para o reator). A troca ocorreria em território turco e evita que o Irã enriqueça seu próprio urânio e desenvolva a tecnologia necessária para a criação de dispositivos nucleares, que necessitam de cerca de 90% de grau de enriquecimento.

A iniciativa foi ignorada pelas grandes potências e em 9 de junho foi votado um novo pacote de sanções contra o país. No final de junho, em resposta as medidas tomadas, o presidente iraniano decidiu congelar as negociações.
Entretanto, após uma reunião com Brasil e Turquia no último final de semana, o Irã se diz disposto a retomar imediatamente as negociações, desde que os países envolvidos deixem claro se buscam amizade ou inimizade e a posição das potências ocidentais quanto ao suposto arsenal nuclear de Israel.
Na segunda (26) foi enviada uma carta contendo as especificações e respostas exigidas pelo grupo de Viena (EUA, Rússia e França) sobre o acordo. A carta foi recebida pela ONU e repassada aos governos americano, russo e francês.
O futuro
As negociações serão retomadas em setembro, ainda sem data e local definidos, e a pedido do próprio presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, Brasil e Turquia estarão presentes. Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, afirma que “Estamos de algum modo ajudando a criar uma nova ordem mundial, mas algumas pessoas ainda estão talvez chocadas com isso”. Opinião contrária a da secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, a qual afirma que o acordo torna o mundo “mais perigoso”.
A participação brasileira como mediador é duramente criticada pelos outros países que afirmam que o Brasil não é forte o bastante em termos de política internacional para ocupar uma posição tão importante em um assunto como este. Para Amorim, isso acontece porque os críticos enxergam o Brasil com “olhos pequenos” e não entendem que o país está ganhando destaque no cenário mundial.

