O Oriente Médio é uma região de conflitos que se iniciaram em séculos passados e que se estendem até hoje. A maioria desses conflitos foram causados por questões territoriais, outros por motivos religiosos e o restante por interesses relativos ao petróleo. O armamento pesado, tropas com fanatismo religioso que não temem a morte e uma verdadeira indústria da guerra que é financiada por esses conflitos, tudo isso potencializa ainda mais os efeitos das guerras envolvendos as diversas etnias e grupos religiosos da região.

O conflito entre Israel e o Hamas vem sendo foco de atenção mundial nas últimas semanas. A guerra acontece na região denominada Faixa de Gaza, que atualmente se encontra dominada pelo grupo Hamas. As razões para o conflito são históricas e dada a atual magnitude dos enfrentamentos o futuro da região segue, infelizmente, incerto.

Entender o conflito requer um pouco mais de conhecimento. Analisar questões históricas e geográficas é o ponto chave para saber exatamente o que acontece.

Entendendo o passado para compreender o presente

No passado, árabes e judeus viviam juntos na região onde hoje se localiza o Estado de Israel, mas que até 1948 denominava-se Palestina. A região foi invadida pelo Império Romano no século II aC, levando inúmeros judeus a chamada diáspora. Já no século XIX, devido a Conferência de Berlim, a Palestina tornou-se um território sob domínio inglês.

Durante a 1ª Guerra Mundial os turcos otomanos, que exerciam forte influência sobre os árabes da região, aliaram-se a Alemanha. Com isso, a Inglaterra, na intenção de obter apoio árabe e judeu assinou a Declaração de Balfour (1917), que autorizava a migração de judeus para a Palestina. O objetivo dos ingleses era obter a simpatia e o financiamento de judeus europeus para a sua participação na 1ª Guerra Mundial.

Na mesma declaração, Inglaterra determinou que o fluxo de judeus não deveria de maneira alguma “incomodar” os povos já presentes na região, ganhando então a simpatia das tribos árabes, que unificaram-se e expulsaram os turcos otamanos da Palestina.

Com a 2ª Guerra Mundial e a disseminação da política anti-semita implantada pelo nazismo alemão o fluxo de judeus para a Palestina intensificou-se. A concentração de terras nas mãos de judeus começou a gerar desconforto aos árabes, que deram inicio a forte pressão sobre os representantes do governo inglês. As rivalidades aumentaram e tanto árabes, quanto judeus exigiram a formação oficial de seus territórios, que deveriam ser garantidos pela Inglaterra.

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, Inglaterra, com o intuito de se recuperar internamente, entrega o território Palestino a ONU (recêm criada neste momento). O projeto de partilha da Organização tinha como objetivo dividir a região em 2 Estados. Essa proposta foi repudiada pelos árabes, que não queriam perder parte de seu território para os judeus.

Israel foi legitimado em 1948, gerando o primeiro enfrentamento (já previsível) entre árabes e judeus. A Guerra de 1948, como ficou conhecida, é considerada a guerra de formação de Israel.

Em menos de 24 horas após o reconhecimento internacional de Israel o novo Estado foi atacado por exércitos árabes, libaneses, sírios, iraquianos e egipcios. Os árabes acreditavam que o país sozinho não conteria o ataque. Em uma reação surpreendente Israel derrota os invasores e amplia suas fronteiras.

Mas foi na Guerra dos Seis Dias que a Faixa de Gaza passou para o controle Israelense.

Atacando de surpresa a Síria, Jordânia e o Egito, Israel venceu os árabes por completo em apenas seis dias. Como consequência a Faixa de Gaza foi tomada do Egito e passou a ser controlada pelo Estado Israelense até que em 2005 os colonos e tropas foram retirados de Gaza, porém Israel manteve o controle das fronteiras marítimas e territoriais da região.

Mais problemas

Em março de 2006, o Hamas, grupo torrorista que não reconhece o Estado de Israel, sobe ao poder no Parlamento palestino, congelando os acordos de paz e a ajuda financeira internacional.

Em represália ao Hamas, Israel, Egito, Estados Unidos e a União Européia impõem um embargo econômico a toda a região. Tal fato, aliada a situação das comunidades judaicas localizadas na fronteira com Gaza, que são alvos de ataques constantes com míseis de curto alcance do movimento islâmico, contribuem ainda mais para desestabilizar o cessar-fogo estabelecido em junho por intermédio do Egito. Claro que também é necessário destacar que nenhum dos lados cumpriu com os termos tratados. Israel não liberou o fluxo de mercadorias para a região e foguetes continuaram sendo lançados pelo Hamas.

A ofensiva israelense

Há várias explicações para a ofensiva israelense. A oficial diz que o país visa enfraquecer a capacidade militar do Hamas. O governo de Israel quer recuperar o prestígio político e militar nos territórios ocupados. Há lideres israelenses que pregam a destruição do Hamas ou a derrubada do seu governo em Gaza. Segundo especialistas Israel objetiva o fortalecimento de sua posição no Oriente Médio, que enfraqueceu com a derrota em confrontos contra o Hezbollah no Líbano.

Entretanto, analistas apontam mais razões para o ataque. Dentre elas estão a proximidade das eleições gerais em 10 de fevereiro e a posse de Obama a presidência dos Estados Unidos. Obama está sendo pressionado a convencer Israel a um acordo para a criação de um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia. O objetivo do ataque, portanto, seria o de estender ainda mais as negociações.

O problema é que a força escessiva e a ação dissimulada israelense não permitem que civis palestinos se protejam dos ataques. A ofensiva militar já matou centenas de pessoas e deixou milhares feridos. Essa postura gerou forte repressão da comunidade internacional contra Israel

Caso o governo israelense recue o Hamas sairá vitorioso e com maior influência no mundo árabe. Em caso de vitória de Israel a área será novamente ocupada por judeus, que ficarão sujeitos a retaliações de outros povos muçulmanos, podendo inclusive enfrentar uma nova revolta popular (a chamada Intifada).

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Além das razões históricas, para se entender completamente o conflito é necessário conhecer algunas características. Vamos a elas.

Sobre o Hamas

O Hamas é um grupo terrorista que combate Israel a partir da Faixa de Gaza. É um misto de milícia, partido e instituição de caridade. Sua ascensão ao poder ocorreu devido ao declínio econômico palestino, assim como a ineficiência do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahamoud Abbas.

Ao assumir o Parlamento palestino, o representante do Hamas repudiou o Estado de Israel e estimulou ações terroristas contra este.

Sobre Israel

Berço da civilização e cultura judaica, Israel é o único estado judeu no mundo. Também é o único país no Oriente Médio considerado democrático.

Diferente de seus vizinhos, Israel não possui nenhum pingo de petróleo em seu território, mas apresenta uma economia sólida frente a dos países árabes.

Porém o país vive uma realidade artificial, onde o Estado é financiado. A Alemanha – que contribui com um ônus devido ao Holocausto- junto dos Estados Unidos e da Comunidade Judaica financiam o Estado de Israel.

Definido como um país que já “nasceu” militarizado, Israel investe pesado em armamentos. Enquanto na maioria dos países ocidentais os gastos com defesa são de 1% a 3% do PIB -Sendo que no auge da Guerra do Vietnã os EUA gastaram 9% – Israel investiu em média 10% de seu PIB apenas nos primeiros anos de sua existência. Chegando a 25% na Guerra dos Seis Dias e 45% na Guerra de Yom Kippur.

A diferença entre etnia, religião e nacionalidade

Em geral quando falamos de conflitos no Oriente Médio já temos a opinião formada de que nunca entenderemos nada devido a complexidade dos acontecimentos. Palestinos, muçulmanos, judeus e árabes, tudo isso encontra-se completamente embaralhado em nossa mente e isso só dificulta ainda mais o entedimento das razões dos embates.

Para compreender tudo o que acontece no Oriente Médio é fundamental entender apenas uma coisa: Árabe é diferente de turco, que é diferente de persa, que é diferente de muçulmano, que é diferente de judeu, que por sua vez é diferente do palestino, que é diferente do jordaniano, que é diferente do iraquiano. Ficou confuso? Tudo bem, eu explico.

Árabe, turco e persa – São etnias;

Muçulmano – Religião;

Judeu – Religião e etnia;

Palestino – Árabe muçulmano que vive na Palestina;

Jordaniano – Árabe muçulmano que vive na Jordânia;

Iraquiano – Árabe muçulmano que vive no Iraque.

Perspectivas

Por enquanto a guerra continua. O Hamas está apresentando sinais de desgaste e seu lider, Khaled Mashaal, já divulgou suas condições para o acordo. Impossível prever se Israel irá concordar.

A ONU está trabalhando constantemente em um cessar fogo e uma forma de buscar ajuda humanitária para as vítimas. O acordo, além de outros termos, é claro, teria que ser baseado em três princípios, dois exigidos por Israel – um comprometimento de que o Hamas não lançará mais foguetes contra o o território israelense e uma forma de impedir o contrabando de armas para dentro da Faixa de Gaza.

O outro é exigido pelo Hamas, que além da retirada das forças israelenses pedem o fim do bloqueio econômico imposto a Gaza.

Não há como prever quando será o fim do conflito. Como há questões históricas envolvidas nisso tudo e ambos os países são extremamente imprevissíveis é possível que a trégua não dure muito tempo.

Protestos já eclodiram em diversas partes do mundo. Todos pedem o fim das mortes e um acordo que traga paz para a região.

Bom seria se além de pararem com os conflitos os grupos terroristas e organizações radicais percebessem que não é com o sangue do povo que se realiza o que eles chamam “guerra santa”.

By Leonardo Marinho

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode...