Alardeada pela mídia, a gripe suína já matou várias pessoas no México, registrou casos de infecção no Canadá, Estados Unidos e Espanha. E no Brasil está gerando uma onda de apreensão e medo.

Cientistas e governos de todo o mundo ainda buscam informações mais detalhadas sobre a doença, entretanto, alguns dados divulgados pelos governos e centros de pesquisa já são suficientes para entendermos melhor com o que estamos lidando.

Conhecendo o H1N1
O vírus influenza, causador da gripe, possui 3 variações: tipo A, B e C. O mais comum nos seres humanos é o influenza tipo A . Duas proteínas do vírus são importantes, a Hemaglutinina e a Neuraminidase. Elas ficam do lado de fora do vírus e são as proteínas mais reconhecidas por anticorpos e, portanto, são utilizadas nos testes de diagnóstico.

Ao todo são conhecidos 16 tipos de Hemaglutinina e 9 de Neuraminidase e cada uma recebe uma numeração diferente. As mais frequentes em seres humanos são as do tipo H1, 2 e 3 e N1 e 2. O vírus H1N1 é um rearranjo de duas cepas suínas, uma das Américas e outra Européia. Não há, portanto genes do vírus aviário ou presença de cepas humanas.

O vírus influenza é extremamente mutante. Sendo conhecidos dois fenômenos de mutação, o drift e o shift. No primeiro o vírus realiza pequenas mutações nos genes H e N. Essas mutações são suficientes para que nosso sistema imunológico não o reconheça no caso de uma nova infecção. Já o shift é o mais frequente e mais perigoso. Acontece quando dois vírus influenza diferentes conseguem penetrar na mesma célula e ao saírem seus cromossomos estão completamente misturados.

Essa recombinação costuma ocorrer em animais que sirvam como pontes entre o vírus das aves selvagens -hospedeiros naturais- e os seres humanos, como os porcos e aves domésticas. Como as células do sistema respiratório dos porcos são semelhantes as nossas, um vírus bem adaptado ao porco pode, teoricamente, ser transmitido entre humanos com mais facilidade que um vírus aviário.

Devido a essas mutações o vírus muda frequente e abruptamente, o que faz com que nosso sistema imunológico fique despreparado. E é isso que inutiliza completamente as vacinas.

Sintomas e formas de transmissão e prevenção
Os sintomas conhecidos são muito similares aos de uma gripe comum ou até mesmo da dengue. O infectado apresenta febre intensa, acima de 39°C, perda de apetite, dores musculares e tosse. Em alguns casos houve relatos de dor de garganta, catarro, vômito, náuseas e diarréia.

O período de incubação -tempo que vai desde o contágio até a aparição de sintomas- é de 24 a 48 horas.

Especialistas afirmam que a forma de transmissão mais comum é a mesma da gripe: por vias aéreas, através do espirro ou tosse de uma pessoa infectada. Apontam também que as partículas do vírus podem viajar até um metro de distância e que pessoas podem transmitir o vírus antes mesmo de sentir os sintomas, ou após ter melhorado.

Outra forma de contágio é o contato direto com superfícies contaminadas, já que o vírus sobrevive por dias em superfícies secas. Portanto, pode-se contaminar ao encostar em locais contaminados, como teclados, maçanetas e outros utensílios e depois tocar no nariz ou boca.

Evitar o contato com pessoas contaminadas e com objetos que são manuseados por pessoas que apresentem os sintomas são uma boa forma de prevenção, assim como lavar bem as mãos sempre que possível.

Riscos de pandemia e formas de combate
A OMS (Organização Mundial de Saúde) não trabalha com a possibilidade de uma pandemia, mas sim com a certeza de uma. Com os avanços em transporte e integração entre as diversas áreas do globo e o alto número populacional a que chegamos é apenas questão de tempo até que o influenza cause sérios estragos pelo mundo todo.

O WHO (World Health Organization), responsável por monitorar casos de gripe no mundo, possui uma escala de alerta mundial que vai de 1 a 6. No momento estamos no nível 3, onde a doença existe, mas ainda não circula de pessoa para pessoa.

Existem poucos remédios antivirais, no caso do influenza temos a Amantadina e o Tamiflu, que são inibidores de neuraminidase, impedindo o vírus de se liberar da célula. Como as mutações são frequentes os vírus desenvolvem imunidade a essas drogas e não se sabe até que ponto isso é fácil de ocorrer com o H1N1.

As vacinas também compõem uma forma de defesa. O problema está na agilidade em desenvolver uma vacina para o vírus atual em tempo suficiente para distribuir a população.

Medidas no Brasil
O Ministério da Saúde divulgou uma lista de hospitais espalhados pelo país que estão prontos para receber casos de gripe suína.

Além disso atendentes do Disque Saúde foram treinados para sanar qualquer dúvida da população pelo número 0800-61-1997.

Seja como for entidades médias já divulgaram uma cartilha com orientações sobre a gripe suína e procedimentos a serem adotados com relação a doença. A cartilha está disponível no site da AMB (Associação Médica Brasileira).

Os médicos infectologistas negam haver motivo de pânico por conta dos casos confirmados no Brasil. Para eles não há necessidade das pessoas mudarem seus hábitos e afirmam que o índice de letalidade do novo vírus é relativamente baixo, estando por volta de 1,5%, contra 0,5% da gripe comum. E também lembram que os pacientes com a doença contraíram o vírus fora do país.

By Leonardo Marinho

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode...