Migrei. Saí de terras conhecidas e agora sou um andarilho que percorre caminhos antes inexplorados por minha pessoa. Deixar o antigo ninho e partir para o desconhecido não foi tão trágico quanto pensei que seria.

Calma. Não saí de casa e fui morar em outro lugar. Esse começo foi apenas pra dar um tom mais dramático a toda a história. O que acontece é que mudei de sistema operacional. Agora não uso apenas a fábrica de dinheiro chamada Windows, que por muitos anos alimentou os bolsos de Bill Gates. Há algumas semanas instalei em meu computador o Ubuntu 8.10 Intrepid Ibex e a partir daí me tornei um Linuxer – termo que define os usuários de Linux.

Há tempos vinha nutrindo minha vontade de me aventurar pelo mundo Linux, o problema é que sempre soube da dificuldade que era se adaptar ao novo sistema. Nada das facilidades encontradas no Windows. Aqui a maioria das coisas acontece por linhas de comando através do Kernel. Desde a instalação de certos programas até alterações profundas que acarretam maior personalização do sistema. Claro que o modo gráfico está sempre presente, mas o uso do Terminal para a execução dos comandos abre um leque de possibilidades ao usuário. É estranho no começo, um pouco desagradável depois da terceira tentativa frustrada de utilizar algum comando, mas com o passar do tempo a coisa toda ganha um certo chame, você pega o jeito e quando menos se espera já se sente confiante e ansioso para testar novos comandos.

Por que migrei? Fácil de responder. Cansei daquele monte de formatações que tinha que realizar várias vezes ao ano porque por algum motivo misterioso o sistema começava a agir de forma estranha. Do medo dos infalíveis vírus que pareciam me ver como um imã. De perder por várias vezes documentos importantes porque não consegui recuperar nada. E, enfim, cansei dos preços abusivos que a Microsoft pratica. No Linux não preciso me preocupar se estou usando uma cópia baixada diretamente da internet, copiada de um amigo ou enviada pelos próprios desenvolvedores. O que vale aqui é o conceito de software livre.

Outro ponto bacana que sempre me chamou atenção no Linux foi o fator segurança. Não preciso me preocupar em instalar e manter sempre atualizado aquela extensa coletânea de Anti-vírus, Anti-spyware, Firewall e programas do tipo. Não preciso porque a plataforma UNIX não é tão vulnerável a vírus que infectam facilmente outros sistemas operacionais. Também não me preocupo em deletar ou modificar, por acidente, alguma configuração importante. O esquema de permissões faz com que em hipótese alguma o usuário tenha autorização para danificar o sistema. E como o código fonte é aberto, qualquer tipo de erro ou vulnerabilidade encontrada pode ser imediatamente consertada pelo time de programadores ou até mesmo por um usuário disposto a ajudar. Esses conceitos são extremamente importantes e tornam o uso do computador bem mais seguro.

Mas como nem tudo são flores, ainda estou tomando uma surra pra me acostumar ao novo ambiente e realizar tarefas que antes eram simples no Windows, mas que agora ganharam todo um ar místico no Linux. A primeira grande batalha a ser travada após o particionamento do HD e a instalação do Ubuntu foi a instalação e configuração do meu modem – Sim, eu, infelizmente, ainda uso internet discada. Foram horas de pesquisa, vários downloads de pacotes que faziam dezenas de promessas e um sem número de tentativas frustradas e palavrões proferidos. Enfim a configuração foi feita e consegui navegar na internet utilizando o novo sistema. Nessas horas me sinto o cara mais inteligente do mundo.

Depois precisei suar para instalar a placa de vídeo. No meu caso uma GeForce MX4000 (E não chame meu computador de sucata, viu?). Já sabia que a coisa não seria fácil, mas essa foi demais. Como o Linux recebe várias atualizações de Kernel você precisa baixar e instalar o Compiz criado exatamente para aquela versão que você está utilizando. Um saco, mas nada que algumas horas utilizando o velho método da tentativa e erro não resolvam.

Por enquanto as coisas estão correndo bem. Já baixei e experimentei diversos temas e estou começando a personalizar o sistema e deixá-lo do meu jeito. O jeito Gamer de ser. Hehe.

Destaque para a facilidade em instalar e remover programas, que aqui é uma tarefa bem mais simples e intuitiva de ser realizada que no Windows.

Quem se interessar pode acessar o site da Comunidade do Ubuntu no Brasil. Lá você pode baixar a versão mais recente do Ubuntu e ainda fazer parte do Fórum, que além de muito conteúdo também possui um grande número de usuários dispostos a ajudar. Eu acesso e aprovo. Boa parte da ajuda que precisei para dar meus primeiros passos veio de lá.

Estou gostando da experiência, que pra mim é crucial, já que todo profissional em informática que se preze deve ao menos ter conhecimentos em uma distribuição Linux.

Ainda tenho o Windows instalado no PC. Faço o chamado Dual Boot. Uso o queridinho da Microsoft cada vez menos e já busco uma maneira de substituí-lo por completo. O que acontecerá em breve, pelo andar da carruagem.

Agora vivo cercado por tutoriais e apostilas que, espero, me ajudem a dominar esse admirável mundo novo em que me meti.

By Leonardo Marinho

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode...