Ah…! Estudar História é tão bom… principalmente quando se descobre fatos esquisitos como este que estou prestes a contar nesse post.
Voltemos no tempo, vamos agora ao Século XVII, também conhecido como Era das Revoluções e palco da Revolução Inglesa. O que nos interessa aqui é um puritano fanático que afirmava falar com Deus e que por conveniência acabou se tornando chefe militar da revolução: Oliver Cromwell, o homem que morreu… duas vezes.
Após o fim da guerra civil que se instalou na Inglaterra e a vitória do Parlamento, que liderado por Cromwell derrotou as tropas do Rei Charles 1st, o Rei foge para a Escócia, onde é aprisionado pelo governo escocês, o qual cobra (e caro) pela sua devolução. A Inglaterra paga, mas com o intuito de fazê-lo prisioneiro.
Cromwell então sacia sua sede por sangue ao convencer o Parlamento de que o Rei deve ser executado. Então, em 1649 Charles 1st é executado e Cromwell comemora sozinho o fato.
Como todos os filhos de Charles haviam sido mandados para outros países, O Parlamento e Cromwell instituem uma República, a República Cromwell.
Jogo de interesses? Com certeza! Cromwell é mais sujo do que parece e logo se torna tirano, provocando indignação por todo o país.
Mas por um acaso do destino Cromwell morre após contrair malária em uma visita a Jamaica. Acha estranho? Então espere para saber o fim desta história.
Com a morte de Cromwell seu filho assume o poder. O que não foi lá grande coisa, já que este era fraco e inexpressivo politicamente. Com medo de uma revolta popular por conta do “mosca morta” que assumiu o trono, o Parlamento tira o filho de Cromwell do poder e trás de volta a monarquia.
Opa, a boa e velha monarquia de volta, mas é hora de ir atrás de um rei… Humn… lembra-se do Charles 1st? Pois é, um dos seus filhos havia sido mandado a França, antes de sua morte. Hora de ir atrás do garotão que agora irá assumir o poder.
Optando por um nome nem um pouco original, Charles 2nd, ainda era um garoto quando foi enviado a França e lá conquistou a amizade de Luiz XIV, sim, ele mesmo, o temido Luiz XIV. Do qual obteve apoio no caso do Parlamento se tornar hostil e manipulador (A velha conversa do tipo: “Viu só o que aconteceu com o teu paí? Foi enforcado. Então é bom ficar na tua e governar direitinho senão vamos fazer o mesmo com você”).
Ao descobrir tal aliança, torna-se desnecessário dizer que o Parlamento ficou furioso, mas agora já era tarde, Charles 2nd assumia o poder.
E é aqui leitores onde quero chegar, após toda essa história, é para a primeira ordem dada por Charles 2nd que quero chamar sua atenção. Então, chega de enrrolação, vamos a ela:
Charles 2nd agora estava no poder e sua primeira ordem foi a de julgar Oliver Cromwell pelo assassinato de seu pai. Ordem que seria acatada sem maiores problemas, não fosse o fato de Cromwell… já estar morto.
E agora? Tente imaginar a conversa entre o Rei e um de seus homens de confiança:
“Senhor… é… temos um probleminha quanto a essa sua ordem…”
“Não me interessa, compram-na!”
“Mas Senhor, é só um pequeno problema que com certeza lhe passou despercebido. Com certeza é muita coisa na cabeça de Vossa Majestade, mas… Não sei se foi informado… Mas Oliver Cromwell já está morto.”
“Cumpram minha ordem!!!”
“Mas, Senhor, ele já está morto.”
“Então desenterrem-o!!”
Sim, provavelmente foi com essa conversa um tanto estranha que o Rei odenou que o túmulo de Cromwell fosse violado e seu cadáver, já em estado de putrefação fosse (humn…) julgado. E com toda certeza este deve ter sido o julgamento mais patético de toda a história.
“Oliver Cromwell, você está sendo acusado de (extensa lista de crimes)… o que tem a dizer em sua defesa?”
“…” (E você esperava que ele dissesse algo?)
“Caso permaneça em silêncio por mais um minuto, senhor Cromwell, vou entender que o senhor assume a culpa pelos crimes dos quais é acusado”
“…”
E assim Oliver Cromwell foi condenado por todos os crimes dos quais era acusado e sua sentença foi a forca… mais uma vez.
Nota-se que esse período de governo foi bastante conturbado. Só não sei se tivemos mais algum julgamento de cadáveres se decompondo.
Enfim, pode parecer inútil – e em certa parte é mesmo – mas achei interessante compartilhar esse fato curioso com vocês leitores do Deu Tilt.
O primeiro governo burguês da Inglaterra e o responsável por unir Escócia e Irlanda, formando assim o Reino Unido. Apesar dos fatos importantes ligados a sua figura, Oliver Cromwell sempre será lembrado como o homem que morreu duas vezes.

Cromwell: “Ha ha! Eu tenho duas vidas e vocês não!”
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