Quem não se lembra dos velhos tempos da locadora? Pelo menos quem é gamer antigo vai poder se recordar do que vou escrever nas próximas linhas.

Em uma época em que os games eram caros demais para serem comprados pelos menos abastados, ou azarados que não nasceram ricos (e por acaso hoje isso mudou?) haviam as locadoras, e elas estavam conosco, os gamers.

O fato é que quando ainda tinha lá meus 9 ou 10 anos de idade as locadoras eram meu lugar preferido. Era fantástico ir até lá e se embasbacar com a quantidade de games disponíveis para todos os consoles. A seção de jogos era bem organizada, de um lado os games de Mega Drive, do outro os de SNES (os grandes protagonistas da época), e depois os jogos para os outros consoles disputavam o que sobrava das prateleiras. Era mágico. As capas coloridas que apelavam para a imaginação e nos fazia querer alugar no mínimo uns 10 de uma só vez. Minha mãe sempre ia comigo com a desculpa de zelar pela minha segurança, hoje acredito que foi mais para me policiar na quantidade de jogos que eu, pequeno fanático, alugava.

Era sempre um jogo por final de semana. Em troca eu teria que me sair bem nos estudos. Era esse o trato, e dava certo. Passar o sábado e o domingo com as retinas coladas na tela da minha SEMP TOSHIBA de 14 polegadas era lei. Não trocava esses momentos por nada no mundo. O maior desafio era conseguir terminar um game desconhecido em apenas dois dias. O cartucho tinha que ser devolvido na segunda feira e caso não conseguisse chegar ao final do jogo teria que aluga-lo outra vez na próxima semana. O que não era nada bom, já que com isso perderia a chance de jogar algo diferente. Zerar um jogo era questão de honra. Desafio para poucos, mas que eu encarava e cumpria com muita alegria.

Na época não podíamos ter todos os consoles. Tínhamos que escolher apenas um. Eu optei pelo Mega Drive. Ainda não tinha conhecido a Nintendo. Adorei Sonic, foi amor a primeira vista. Depois de descobrir o SNES mantive uma certa preferência pelo meu Mega, os jogos pareciam mais sérios, não eram tão coloridos e alegres como os do Super Nintendo. Além do mais sempre achei o Sonic mais interessante. O azulão da Sega tinha atitude, era veloz e ainda fazia algumas graças durante o jogo.

O acervo de jogos era imenso. Lembro que foi nesse período que joguei pela primeira vez games memoráveis como Sonic e Knuckles, Demolition Man, Decap Attack, Street Fighter 2, Bomberman (que depois consegui comprar),  Comic Zone (um dos meus preferidos… alguém ai ainda tem esse cartucho?), Ghouls’n Ghosts, Golden Axe 3, Streets of Rage e Vectorman.

Com o tempo fui percebendo que já havia jogado quase todos os jogos das locadoras que existiam no meu bairro. O que era previsível, uma vez que eu acabei me tornando o cliente preferencial de todas elas. Minha mãe dizia que eu sozinho já dava lucro suficiente aos donos para pagarem suas contas e a escola dos filhos. Um exagero, talvez, mas nunca duvidei.

Ainda assim as locadoras nunca perderam a mágica que sempre tiveram para mim. Continuava alugando e jogando, mesmo que fosse pela segunda, terceira, ou até mesmo quarta vez o mesmo game. Fui crescendo, os novos consoles foram surgindo, a pirataria deu as caras com força total e aos poucos as locadoras foram cada vez mais diminuindo o espaço que reservavam aos games. Lembro que a última que resistiu aqui no bairro ainda recebia minhas visitas periodicamente.

O período das locadoras foi sem dúvida o melhor de toda minha vida gamer. Bons tempos aqueles. Eu era feliz e sabia muito bem disso. Foi nessa época que ganhei meu primeiro computador e assim comecei a descobrir minha imensa afinidade por tecnologia. Descobri que não conseguia mais me separar dos jogos. Comecei a me interessar cada vez mais por essa indústria. Me enveredei pelos campos da informática e fortaleci esse elo que mantenho até hoje com os games.

Foi assim que tudo começou.

By Leonardo Marinho

Leonardo Marinho é apaixonado por games, viciado em tecnologia e apreciador de todas as formas de entretenimento. Quando possível ele tenta ser gamer, manter o Deu Tilt atualizado e levar uma vida normal. Sua consciência ainda não foi afetada pelas intempéries do tempo e ele aproveita essa façanha para redigir textos coerentes para o Deu Tilt. Ele faz o que pode...